A tentativa de rotular João Bacelar como “traidor” do PL por dialogar com prefeitos e dividir palanque com o governador Jerônimo Rodrigues ignora quase duas décadas de história partidária.
Bacelar não chegou ao PL com o bolsonarismo. Foi eleito deputado federal em 2006 pelo antigo Partido Liberal, atravessou a transformação da sigla em PR e permaneceu quando voltou a ser PL.
Mudaram nomes, alianças e conjunturas. João Bacelar ficou.
E a própria história derruba o discurso de que diálogo significa traição: em 2006, o PL baiano estava com Paulo Souto, enquanto, nacionalmente, o partido apoiava Lula. Arranjos políticos diferentes entre Bahia e Brasília, portanto, sempre existiram.
QUANDO MUITOS SAÍRAM, JOÃO FICOU
Em 2022, o PL baiano sofreu um grande esvaziamento. Zé Carlos Araújo, Zé Rocha, Raimundo da Pesca, Abílio Santana, Vitor Bonfim e outros nomes seguiram caminhos diferentes.
João Bacelar e Kátia Bacelar permaneceram.
E tiveram participação importante na reconstrução e na formação das chapas estadual e federal, que terminaram a eleição com três deputados federais e quatro estaduais eleitos pelo PL.
Por isso, soa contraditório querer dar aulas de fidelidade partidária justamente a quem permaneceu quando tantos deixaram a legenda.
DESDE QUANDO DIALOGAR VIROU TRAIÇÃO?
Deputado não foi eleito para fazer guerrinha de rede social. Foi eleito para entregar resultados.
Se João Bacelar precisa conversar com prefeito, ministro ou governador de outro partido para conseguir recursos e obras, tem obrigação de conversar.
Isso não é traição.
Isso é exercer mandato.
É fácil produzir ataques e manchetes. Difícil é percorrer a Bahia, abrir portas e buscar soluções para os municípios.
Estrada não nasce de postagem. Hospital não funciona com lacração. Água não chega ao sertão através de ataque político.
Radicalismo destrói pontes. E, quando a política deixa de dialogar, quem paga a conta é o povo baiano.
João Bacelar pode ser criticado e cobrado. Mas sua história não pode ser apagada por uma fotografia de palanque.
Quando muitos partiram, ele ficou.
E, antes de chamá-lo de traidor, talvez seja melhor perguntar:
Quem chegou depois tem autoridade para apagar a história de quem ajudou a manter e reconstruir o PL na Bahia?
Manchetes passam. Radicalismos passam. A história fica.








