A crise política dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues parece longe de um desfecho e, desta vez, ganhou contornos ainda mais explosivos em Itabuna. O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Rosemberg Pinto (PT), entrou em rota de colisão não apenas com o prefeito Augusto Castro (PSD), mas também com o presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna e secretário-geral do PT na Bahia, Manoel Porfírio. O embate, que antes acontecia nos bastidores, agora é travado publicamente, revelando um cenário de divisão entre importantes aliados do governo estadual.
A resposta mais dura veio do prefeito Augusto Castro, que reagiu às críticas feitas por Rosemberg sobre o funcionamento do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães. Durante entrevista, o gestor disparou uma declaração que rapidamente repercutiu no meio político: “Rosemberg Pinto nunca mandou nada para Itabuna.” Augusto ainda desafiou o parlamentar a apresentar emendas e investimentos concretos para o município, especialmente na área da saúde, elevando o tom do confronto e colocando em xeque a atuação do deputado em favor da cidade.
Como se a troca de acusações já não fosse suficiente, Rosemberg ampliou a crise ao declarar publicamente estar “desencantado” com Manoel Porfírio. O deputado criticou a postura do correligionário dentro do PT, classificando como incoerente sua atuação política e afirmando ter sido tratado com deslealdade após as eleições municipais de 2024. Rosemberg ainda revelou que Porfírio teria sugerido que ele precisaria conversar com a liderança petista local para construir sua votação em Itabuna, ao que respondeu de forma direta: “Para ter votos em Itabuna eu tenho que conversar com o eleitor, e não com ele.”
O episódio escancara uma disputa de poder que ameaça a unidade da base governista em uma das principais cidades do sul da Bahia. Enquanto lideranças trocam críticas e acusações de deslealdade, cresce a expectativa sobre a posição do governador Jerônimo Rodrigues diante de um conflito envolvendo figuras estratégicas de sua própria base. O que antes parecia apenas um desentendimento pontual agora se transforma em uma guerra política aberta, com potencial para influenciar os rumos das articulações visando as eleições de 2026.







