A destinação de emenda parlamentar pelo deputado federal Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), aliado político do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, tem gerado críticas e levantado questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos. O parlamentar indicou R$ 490 mil do Orçamento da União de 2026 para a Associação Desportiva Jequié (ADJ), clube com o qual mantém ligação direta, ocupando atualmente o cargo de presidente de honra.
Leur esteve à frente da ADJ até outubro do ano passado, quando deixou a presidência e passou o comando ao empresário Eduardo da Pax. A mudança foi tratada como um reconhecimento ao seu trabalho, mas não rompeu os vínculos com a instituição. O próprio deputado já declarou publicamente que seguiria atuando junto ao clube, contribuindo e buscando apoio, o que reforça a proximidade e intensifica os questionamentos sobre a destinação da emenda.
Embora o parlamentar negue qualquer irregularidade e sustente que a indicação ocorreu dentro da legalidade, o caso esbarra em um ponto sensível da administração pública: o princípio da impessoalidade, previsto na Constituição Federal. Especialistas e críticos apontam que a destinação de recursos para uma entidade com ligação direta ao próprio deputado pode configurar, no mínimo, um conflito ético, ainda que haja justificativas como o incentivo ao esporte, incluindo as categorias de base e o futebol feminino.
Até o momento, os R$ 490 mil foram apenas empenhados, ou seja, reservados no orçamento, sem liberação efetiva. Ainda assim, a situação acende o alerta sobre critérios de prioridade na aplicação de verbas públicas, especialmente em um cenário de tantas demandas sociais urgentes. Mesmo ocupando atualmente a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e tendo histórico à frente do Conselho de Ética, Leur Lomanto Júnior passa a ser alvo de cobranças por coerência entre discurso institucional e prática política.






