A Polícia Civil da Bahia indiciou pessoas ligadas à gestão de uma instituição de ensino privada de Ilhéus no âmbito da investigação que apura a morte de uma adolescente de 14 anos. O indiciamento consta em despacho oficial da autoridade policial responsável pelo caso e não representa a conclusão do inquérito, que segue em andamento. Por razões legais, o portal Foco na Bahia opta por não divulgar o nome do colégio investigado, embora o episódio tenha tido ampla repercussão no município, especialmente após manifestações públicas recorrentes da mãe da adolescente nas redes sociais.
De acordo com o documento policial, a investigação teve início após a confirmação de que a adolescente morreu em decorrência de ferimentos provocados por uma queda de um viaduto. A partir disso, a Polícia Civil realizou perícias técnicas, análise de dados digitais e a oitiva de dezenas de pessoas. No curso das apurações, surgiram indícios de que a jovem estaria inserida em um ambiente escolar descrito como hostil, marcado por práticas reiteradas de humilhação, constrangimento e discriminação.
Segundo o despacho, os relatos colhidos apontam para episódios de racismo, tratamento vexatório e sofrimento psicológico, fatores que teriam contribuído de forma relevante para o contexto analisado. A autoridade policial indicou a possibilidade de enquadramento dos fatos em crimes previstos no Código Penal, como indução, instigação ou auxílio ao suicídio, quando praticados contra menor de 14 anos, além de lesão corporal de natureza gravíssima. Também foram mencionados indícios de crimes previstos na Lei nº 7.716/1989, relacionados à injúria racial e à discriminação por raça, cor, etnia ou procedência nacional.
Durante a investigação, surgiram ainda relatos de possíveis constrangimentos ilegais contra alunos, cobranças consideradas vexatórias de mensalidades em atraso e indícios de irregularidades administrativas no ambiente escolar, que seguem sob análise. A Polícia Civil reforçou que o indiciamento é uma etapa formal da investigação e não equivale a juízo de culpa ou condenação. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público após a conclusão das diligências. Em contato com a redação do Foco na Bahia, a mãe da adolescente afirmou que o caso de M.E. não é isolado e relatou o surgimento de denúncias de outras possíveis vítimas, destacando que a escola deve ser um espaço de proteção e confiança para as famílias, e que o ocorrido jamais poderia acontecer dentro de uma instituição de ensino.





