Itacaré, um dos principais destinos turísticos da Bahia, está no centro de uma polêmica envolvendo denúncias de moradores contra turistas israelenses, entre eles pessoas apontadas por ativistas como ex-integrantes das Forças Armadas de Israel. Relatos de ofensas racistas, vandalismo, agressões a trabalhadores e hostilidade contra manifestações de solidariedade ao povo palestino têm provocado indignação e ampliado o clima de tensão no município. As denúncias levantam questionamentos sobre a presença de militares que teriam atuado na ofensiva israelense na Faixa de Gaza e escolhido o Brasil como destino de descanso.
Entre os episódios relatados está uma série de agressões contra moradores, em março de 2026. Mais recentemente, em 30 de outubro, durante a Festa Literária de Itacaré, sete turistas israelenses teriam tentado retirar cartazes e danificar um mural de solidariedade à Palestina. A intervenção artística também fazia referência à valorização da cultura brasileira e dos povos indígenas. Caso confirmadas, atitudes dessa natureza representam uma grave afronta à liberdade de expressão e ao direito de manifestação, especialmente em um espaço dedicado à cultura e ao diálogo.
A situação exige uma resposta firme das autoridades. Moradores e ativistas criticam o silêncio da administração municipal e denunciam que interesses econômicos ligados ao turismo estariam sendo colocados acima da segurança, do respeito e da dignidade da população local. O turismo é fundamental para a economia de Itacaré, mas nenhuma atividade econômica pode servir de justificativa para tolerar racismo, violência, intimidação ou desrespeito aos direitos humanos. A cidade não pode fechar os olhos diante de denúncias tão graves.
A repercussão também chegou à Assembleia Legislativa da Bahia. O deputado estadual Hilton Coelho apresentou uma proposta para impedir a entrada no Brasil de militares israelenses supostamente envolvidos em operações na Faixa de Gaza e no Líbano, com fundamento na Lei de Migração. O debate vai além da nacionalidade dos visitantes: trata-se da responsabilização individual por possíveis violações de direitos humanos. Itacaré merece respeito, seus moradores merecem proteção e a solidariedade ao povo palestino não pode ser motivo de perseguição ou violência.








