A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (23) que é favorável a que seu irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil caso seja derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante participação no podcast norte-americano “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista Steven Crowder. Segundo Eduardo, Flávio poderia enfrentar investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, declarou.
Na mesma entrevista, Eduardo voltou a colocar em dúvida a segurança das urnas eletrônicas brasileiras, alegando que o sistema não utiliza cédulas de papel e não teria uma contagem pública manual. O ex-deputado, porém, não apresentou provas de fraude e afirmou que, embora não pudesse provar que houve irregularidades, também não seria possível, em sua avaliação, provar que elas não ocorreram. O Tribunal Superior Eleitoral sustenta que nunca houve comprovação de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras, utilizadas no país desde 1996.
A fala ganha ainda mais repercussão diante do desempenho eleitoral do próprio PL. O partido elegeu 121 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, com 23,6% das 513 cadeiras. Nos dados consolidados da eleição, o PL também aparece com 209 deputados estaduais e distritais eleitos e 19 senadores, ao todo são 28 senadores e além de cinco governadores. Ou seja, trata-se de uma das maiores forças políticas do país, com uma presença expressiva justamente em um sistema eleitoral que o grupo político de Bolsonaro frequentemente coloca sob suspeita.
O contraste, portanto, chama atenção: enquanto o partido amplia sua representação no Congresso e conquista centenas de mandatos nas urnas eletrônicas, integrantes da própria família Bolsonaro continuam questionando a confiabilidade do sistema sem apresentar evidências de fraude. A discussão sobre a segurança eleitoral é legítima e pode ser feita com transparência e fiscalização, mas colocar em dúvida o resultado das urnas sem provas pode alimentar desconfiança sobre um processo que também foi responsável por eleger uma bancada robusta do próprio PL. A declaração de Eduardo ocorre justamente na reta final de uma eleição em que o resultado será definido pelo voto popular no próximo domingo (25).








