Três senadores democratas dos Estados Unidos acusaram o governo de Donald Trump de adotar medidas que, segundo eles, representam uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro de 2026. Em carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch afirmaram que a administração Trump estaria promovendo uma “campanha de interferência e desestabilização” no Brasil às vésperas da eleição presidencial marcada para 4 de outubro.
Entre os episódios citados pelos parlamentares estão as tarifas e sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil durante o período do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, além do encontro entre Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Na avaliação expressa pelos três democratas, a reunião, ocorrida durante o período eleitoral, seria um indicativo da disposição do governo americano de se envolver no cenário político brasileiro. Os senadores também questionaram se a administração Trump reconhecerá o resultado oficial das eleições e manterá relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores brasileiros.
A carta também faz referência à postura adotada pelos Estados Unidos após as eleições brasileiras de 2022, quando o governo de Joe Biden reconheceu rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Para os senadores, a atuação americana naquele período foi diferente da postura que eles atribuem à atual administração. O documento encaminhado a Rubio pede ainda esclarecimentos sobre a forma como o Departamento de Estado pretende atuar em relação à democracia e aos processos eleitorais na América Latina.
Outro ponto destacado pelos parlamentares é a atuação de Darren Beattie, nomeado para uma função de assessor sênior do Departamento de Estado relacionada ao Brasil. Os senadores questionam sua atuação e mencionam declarações e associações políticas de Beattie que consideram problemáticas. Segundo relatos divulgados sobre o episódio, ele tentou viajar ao Brasil para visitar Jair Bolsonaro, mas teve a entrada negada pelas autoridades brasileiras. A carta de Shaheen, Kaine e Welch amplia, assim, a pressão política sobre o governo Trump para que esclareça sua posição diante das eleições brasileiras e do resultado que será certificado pelas autoridades eleitorais.








