A Prefeitura de Ilhéus, administrada pelo prefeito Valderico Júnior (União Brasil), aliado político de ACM Neto, registrou, em 2025, quase R$ 3 milhões em pagamentos ao Banco Máxima, instituição que posteriormente passou a se chamar Banco Master. Segundo os dados apresentados do Portal da Transparência, foram identificados 25 pagamentos classificados como despesas extraorçamentárias, relacionados às operações “Cred Cesta Compras” e “Cred Cesta Empréstimo”. Ao todo, os registros somam R$ 2.959.818,34, levantando questionamentos sobre a movimentação financeira e a relação do município com a instituição.
Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e novembro de 2025, durante o primeiro ano da gestão de Valderico Júnior. A divulgação dessas informações acontece em meio a acusações veiculadas pela imprensa nacional envolvendo ACM Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, sobre uma suposta cobrança de comissão de 10% em operações relacionadas a carteiras de crédito encaminhadas ao Banco Master. Neto nega as acusações. É importante destacar que os repasses registrados pela Prefeitura de Ilhéus, por si só, não comprovam qualquer conexão com as denúncias envolvendo os dirigentes políticos.
Em dezembro de 2025, o sindicato dos servidores municipais denunciou descontos considerados fora do padrão nas folhas de pagamento, além de relatos de antecipação de parcelas sem autorização e dificuldades no atendimento do Credcesta. As reclamações levantaram preocupações sobre a transparência das operações e o impacto dos descontos na renda dos trabalhadores. Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Ilhéus anunciou a suspensão do Convênio nº 018/2020, firmado com a PKL One Participações S.A. (Credcesta), após identificar inconsistências na execução do contrato. 
Diante desse cenário, a principal crítica que se apresenta à gestão de Valderico Júnior é a necessidade de prestar esclarecimentos detalhados à população e aos servidores sobre os quase R$ 3 milhões registrados em pagamentos, a natureza dessas operações e os mecanismos de fiscalização adotados pelo município. Transparência não pode ser apenas uma promessa administrativa, mas uma obrigação com quem depende do salário público e precisa ter segurança sobre os descontos realizados em sua folha. A existência dos repasses não comprova, por si só, irregularidades ou qualquer vínculo com as acusações envolvendo ACM Neto e Antônio Rueda. Por isso, cabe às autoridades competentes e à administração municipal esclarecer os fatos, apresentar a documentação pertinente e garantir que os direitos dos servidores sejam respeitados.








