O ex-candidato ao Palácio do Planalto, Pablo Marçal, voltou a gerar repercussão nas redes sociais após fazer declarações consideradas preconceituosas contra as religiões de matriz africana e associar a Bahia a uma suposta falta de prosperidade. Durante entrevista ao canal BNTV, Marçal foi questionado se teria medo de “macumbaria” e respondeu: “se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai”. A fala provocou críticas e reacendeu o debate sobre intolerância religiosa e respeito à diversidade cultural e religiosa.
Na sequência da entrevista, Marçal ampliou os ataques aos praticantes dessas religiões. “Todo macumbeiro é um derrotado na vida. É gente invejosa e que não prospera”, afirmou. A declaração foi recebida com indignação por representantes e praticantes de religiões de matriz africana, além de internautas que classificaram o conteúdo como uma generalização ofensiva e discriminatória. Ao relacionar uma crença religiosa a fracasso pessoal, inveja e ausência de prosperidade, o ex-candidato transformou uma manifestação de fé em alvo de estigmatização.
A referência à Bahia também ganhou destaque na repercussão do episódio. O estado possui uma forte presença histórica e cultural das religiões de matriz africana, que influenciam diferentes manifestações da identidade baiana, incluindo música, culinária, festas e tradições populares. Nesse contexto, a utilização da Bahia como argumento para depreciar uma prática religiosa foi apontada como uma forma de reforçar estereótipos contra o estado e contra comunidades que preservam essas tradições.
As declarações ocorrem enquanto Marçal permanece impedido de disputar eleições em razão de decisão da Justiça Eleitoral. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador José Antonio Encinas Manfré, negou os recursos especiais eleitorais apresentados pela defesa e manteve a condenação do ex-candidato por uso indevido dos meios de comunicação social durante a campanha de 2024. Com a decisão, permanece a inelegibilidade por oito anos, impedindo Marçal de disputar cargos públicos até 2032.








