A campanha de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia realizou uma contratação de R$ 2 milhões com a Santana & Associados Marketing e Propaganda Ltda., empresa ligada ao marqueteiro João Santana. Segundo informações disponíveis no DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, o pagamento foi registrado em 28 de agosto e tem como finalidade o “planejamento estratégico da campanha publicitária eleitoral”. O valor aparece como a maior contratação individual da campanha até o momento e chama atenção pelo montante destinado à estrutura de comunicação eleitoral.
João Santana foi apresentado pelo próprio ACM Neto como responsável pelo comando do marketing da candidatura. Em julho, o candidato afirmou que o marqueteiro participava da construção da estratégia, da identidade gráfica e das peças publicitárias da campanha. Com experiência em algumas das principais disputas eleitorais do país, Santana já esteve à frente das campanhas presidenciais de Lula, Dilma Rousseff e Ciro Gomes, sendo considerado um dos profissionais mais experientes do marketing político brasileiro.
Apesar da experiência, a contratação também reacende discussões sobre o histórico do marqueteiro. João Santana foi preso em 2016 no âmbito da Operação Lava Jato e posteriormente condenado pelo então juiz Sergio Moro a oito anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro. Em acordo de delação premiada, o marqueteiro admitiu a existência de uma conta não declarada na Suíça e relatou o recebimento de pagamentos relacionados a campanhas eleitorais por meio de caixa dois.
Diante desse histórico, a escolha de ACM Neto por um profissional com esse passado gera questionamentos políticos e públicos, especialmente porque o candidato foi questionado sobre a prisão de João Santana e, até o momento, não apresentou uma manifestação pública sobre o assunto. A contratação de R$ 2 milhões, justamente para o planejamento estratégico da campanha, amplia a repercussão do caso e coloca novamente no centro do debate a relação entre experiência no marketing eleitoral, responsabilidade política e os critérios adotados para escolher quem estará à frente de uma campanha que pretende disputar o comando da Bahia.








