O Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, volta ao centro de uma grave discussão pública após novas denúncias de suposta negligência médica e condições precárias de atendimento. O caso mais recente, que gerou forte comoção no sul da Bahia, é a morte do jovem Igor Ferreira da Silva, de 26 anos, morador de Ubaitaba. Descrito por familiares e amigos como trabalhador, alegre e “do bem”, Igor faleceu no último sábado (25), após dias de internação que, segundo a família, foram marcados por descaso e falhas graves no acompanhamento médico. Diante de mais esse episódio, cresce o questionamento: o hospital voltou a ser um “açougue”, como já foi acusado em outros momentos?
O drama teve início na terça-feira (21), após um acidente de motocicleta no trevo de Ubatã. Igor sofreu fratura exposta no tornozelo, lesões na perna e rompimento de tendão no joelho. Encaminhado ao Hospital de Base, ele passou por uma cirurgia inicial considerada bem-sucedida. No entanto, segundo relatos da noiva, Yasmin, o período pós-operatório foi marcado por abandono e condições desumanas. Ela afirma que Igor chegava a passar mais de 24 horas sem troca de curativos, permanecia em ambiente insalubre, com calor excessivo, lençóis sujos de sangue e presença de moscas, além da falta de itens básicos como papel higiênico.
As denúncias apontam ainda para uma suposta negligência no acompanhamento da evolução clínica do paciente. Yasmin relata que uma inflamação na panturrilha de Igor teria sido ignorada pelo médico responsável, permitindo o avanço de uma infecção que evoluiu para necrose. Segundo ela, houve tentativas frustradas de alertar a equipe médica, enfrentando respostas consideradas arrogantes e desrespeitosas. O quadro se agravou rapidamente, levando à necessidade de amputação da perna, quando o paciente já se encontrava em estado crítico. Durante o procedimento, Igor sofreu uma parada cardíaca, possivelmente causada por infecção generalizada, e não resistiu.
A morte do jovem levanta uma questão urgente para a sociedade baiana: até quando denúncias como essa continuarão se repetindo sem respostas efetivas? Embora a família reconheça que alguns profissionais demonstraram empatia e que a direção do hospital tentou intervir, o caso reforça a necessidade de investigação rigorosa e transparência. O Foco na Bahia mantém espaço aberto para manifestações da direção do hospital e da Secretaria de Saúde de Itabuna, ao mesmo tempo em que ecoa a indignação popular: estamos diante de um caso isolado ou de um problema estrutural que insiste em persistir?






