A relação entre lideranças políticas da Bahia e o Banco Master voltou ao centro das críticas após a divulgação de informações sobre um decreto da Prefeitura de Salvador que favoreceu a instituição financeira. Publicada em 2021, durante o primeiro mandato do prefeito Bruno Reis, a norma garantiu exclusividade ao banco para operar uma linha de crédito consignado destinada a servidores municipais. A decisão gerou questionamentos sobre a falta de concorrência no serviço e sobre possíveis impactos financeiros para os trabalhadores do funcionalismo público.
Pelo decreto, até 10% da margem consignável dos servidores foi reservada para uma modalidade chamada “linha de crédito rotativo”, vinculada ao cartão Credcesta. Esse tipo de produto financeiro, comum em operações de crédito rotativo, pode resultar na cobrança de juros elevados, multas e outros encargos caso o valor total da fatura não seja quitado dentro do prazo. Para críticos da medida, a política pública acabou abrindo espaço para que servidores ficassem expostos a condições de crédito potencialmente mais onerosas, enquanto um único banco mantinha posição privilegiada dentro da estrutura municipal.
O tema ganhou ainda mais repercussão após revelações sobre repasses milionários à empresa A&M Consultoria, pertencente ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), a empresa teria recebido transferências entre junho de 2023 e maio de 2024. A coincidência entre os contratos envolvendo o banco e os pagamentos à consultoria reforçou questionamentos sobre a proximidade entre agentes políticos e interesses financeiros.
Diante desse cenário, opositores e especialistas em gestão pública defendem maior transparência e apuração rigorosa dos fatos. Para eles, a combinação entre decisões administrativas que beneficiam instituições específicas e movimentações financeiras envolvendo figuras políticas relevantes levanta dúvidas legítimas sobre a condução das políticas públicas. O caso amplia o debate sobre ética, governança e responsabilidade na gestão de recursos e serviços voltados aos servidores municipais.





