O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comunicou a aliados, nesta semana, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será seu indicado para disputar a Presidência da República em 2026. A informação, repassada diretamente da carceragem da Polícia Federal em Brasília, marca a primeira vez que Bolsonaro aponta publicamente um nome para sucedê-lo no comando do Palácio do Planalto.
Apesar do peso político do anúncio, a escolha não foi bem recebida por toda a direita. Lideranças influentes do campo conservador reagiram com evidente desconforto, interpretando a decisão como precipitada e pouco estratégica. Entre os críticos, o pastor Silas Malafaia classificou a indicação como um “amadorismo da direita”, ecoando a insatisfação de parte da base bolsonarista. O deputado federal Otoni de Paula também demonstrou surpresa e rejeição ao movimento, reforçando a divisão interna.
Flávio Bolsonaro, embora já citado por aliados como possível sucessor do pai, enfrenta resistência dentro do próprio grupo ideológico. A escolha tende a acentuar tensões entre lideranças conservadoras que defendiam uma alternativa mais ampla e competitiva para a disputa presidencial. Nos bastidores, a indicação é vista como um fator de reorganização — e possível fragmentação — dos movimentos de direita.
O anúncio ocorre em um momento de forte ebulição política e deve impactar diretamente as articulações para 2025, quando se intensificam as negociações para composição de chapas estaduais e federais. Com o gesto, Bolsonaro tenta reafirmar sua influência mesmo afastado fisicamente da cena política, ao mesmo tempo em que testa a capacidade de seu grupo de manter unidade diante de uma escolha que já nasceu cercada de controvérsias.





