A ampliação dos radares eletrônicos em Ilhéus colocou o prefeito Valderico Junior no centro de uma nova e intensa polêmica. O que foi anunciado como uma medida para aumentar a segurança no trânsito passou a ser visto por parte da sociedade como uma ação apressada e pouco transparente. O tema chegou com força ao Legislativo municipal, onde vereadores cobram explicações sobre os critérios técnicos adotados, a legalidade das autuações e o cumprimento da Lei Municipal nº 3.933/2018, que exige sinalização adequada dos equipamentos.
O vereador Maurício Galvão foi categórico ao criticar a falta de estudos técnicos públicos que justifiquem a quantidade e a localização dos radares. Para ele, pode haver excesso na instalação dos equipamentos e falhas no processo de implantação. Galvão informou, inclusive, que acionou o Ministério Público para apurar possíveis irregularidades e defendeu a suspensão das multas até que todas as dúvidas sejam esclarecidas.
Por outro lado, há parlamentares que defendem a política de fiscalização, a exemplo do vereador Aldemir Almeida (PSD). Segundo ele, os radares são necessários para coibir comportamentos irresponsáveis no trânsito. “Só não gosta de radar e de polícia, bandido. (…) É igual aos motoristas de Ilhéus que querem transformar as vias em pista de Fórmula 1. Esses não vão gostar de radar”, afirmou. A declaração, porém, repercutiu de forma negativa e rendeu diversas críticas, inclusive de seus próprios eleitores, que se sentiram ofendidos pelo tom da fala. Em comentários nas redes sociais, um deles questionou: “Então quer dizer que eu sou bandido por não gostar dos radares, vereador?”, refletindo o sentimento de indignação de parte da população.
O embate transformou os radares em um dos temas mais quentes da política ilheense. Enquanto parte da Câmara cobra transparência e caráter educativo na fiscalização, outra defende rigor para mudar a cultura no trânsito. No meio dessa disputa, motoristas aguardam esclarecimentos mais objetivos da Prefeitura, enquanto o tema segue sob análise do Legislativo e dos órgãos de controle.





