A política baiana vive um movimento claro de força e definição. Mais de 100 prefeitos do PSD declararam fidelidade a Otto Alencar e decidiram acompanhá-lo politicamente, escancarando quem, de fato, comanda os rumos do partido no estado. O gesto não apenas consolidou a liderança absoluta de Otto dentro da legenda, como também deixou o senador Ângelo Coronel isolado no processo interno, sem base, sem volume político e sem capacidade de reação.
O alinhamento em torno de Otto tem endereço certo: o Palácio de Ondina. Ao optar por seguir o senador, a ampla maioria do PSD também fechou questão em apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, reforçando a musculatura política do governo e ampliando sua base municipal. O recado foi direto e sem rodeios: Jerônimo tem respaldo, tem articulação e conta com um arco de alianças que cresce enquanto a oposição encolhe.
No Legislativo, o cenário foi ainda mais contundente. Todos os deputados estaduais e federais do PSD decidiram acompanhar Otto Alencar e marchar com Jerônimo Rodrigues, evidenciando uma unidade rara na política partidária. As exceções ficaram restritas a Ângelo Filho e Diego Coronel, que optaram por permanecer no campo político do senador, numa escolha que os coloca na contramão do partido e da maioria esmagadora de suas lideranças.
Diante do isolamento, a saída de Ângelo Coronel do PSD se tornou praticamente inevitável. A expectativa é que ele se filie ao União Brasil, partido comandado por ACM Neto na Bahia, levando consigo cerca de nove pré-candidatos a deputado estadual e federal e aproximadamente dez prefeitos. Ainda assim, os números deixam claro o desequilíbrio do jogo: enquanto Otto e Jerônimo reúnem força, base e capilaridade política, Coronel deixa o partido menor do que entrou, confirmando quem venceu e quem perdeu essa queda de braço.





