Uma apuração do jornalista Paulo Motoryn trouxe à tona uma situação que volta a colocar o Supremo Tribunal Federal (STF) sob os holofotes. Mensagens e áudios encontrados no celular de Daniel Vorcaro, acionista do Banco Master, indicam que o banqueiro participou de uma reunião reservada de aproximadamente duas horas com o ministro André Mendonça, em 14 de março de 2025, em São Paulo. O encontro, realizado fora das dependências do STF, levanta questionamentos sobre a transparência e a relação entre integrantes da mais alta Corte do país e personagens envolvidos em assuntos de grande interesse econômico.
Segundo a apuração, a aproximação entre Mendonça e Vorcaro teria sido articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em fevereiro de 2025, Soares teria enviado a Vorcaro uma fotografia ao lado do ministro em uma alfaiataria em São Paulo e afirmado, em áudio, que estava “trabalhando” pelo banqueiro. Poucos dias depois, uma nova mensagem indicaria que Mendonça já havia sido informado sobre as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master perante o Banco Central e desejava conversar pessoalmente com Vorcaro.
O encontro ocorreu na Alameda Santos, na sede do Instituto ITER, entidade privada criada pelo próprio André Mendonça em 2023. Por ter acontecido em um espaço privado, e não no STF, a reunião não teria aparecido na agenda oficial do tribunal nem contado com ata ou acompanhamento institucional. É justamente esse aspecto que provoca críticas: independentemente de qualquer ilegalidade, uma reunião reservada entre um ministro da Suprema Corte e um banqueiro envolvido em questões sensíveis perante o Banco Central exige, no mínimo, explicações claras sobre o contexto, a finalidade e os limites desse contato.
É importante destacar que os registros periciados confirmam as conversas anteriores, a presença de Vorcaro no endereço e sua permanência no local por cerca de duas horas, mas não apresentam gravações do conteúdo da conversa nem comprovam que Mendonça tenha prometido ajuda, praticado alguma ilegalidade, interferido no Banco Central ou recebido favorecimento. Ainda assim, o episódio merece esclarecimentos públicos. Em um momento de forte desgaste institucional envolvendo o STF e as investigações relacionadas ao Banco Master, encontros dessa natureza, realizados longe dos espaços oficiais e sem registro público, alimentam dúvidas que poderiam ser evitadas com maior transparência por parte das autoridades.








