O nome do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), voltou ao centro de uma investigação que promete gerar repercussão no cenário político nacional. A Polícia Federal apura o envio de uma emenda parlamentar de R$ 199 mil destinada a uma organização não governamental (ONG) que estaria ligada, segundo investigações, ao grupo dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão — condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O caso reacende debates sobre o destino de recursos públicos e possíveis conexões políticas com personagens envolvidos em episódios que chocaram o país.
De acordo com informações da apuração, a transferência teria ocorrido em novembro de 2023, cerca de um mês após integrantes do gabinete de Flávio Bolsonaro terem sido procurados por um assessor ligado a Domingos Brazão. A PF aponta que o homem conhecido como “Peixe” atuava nos bastidores buscando parlamentares para direcionar verbas a entidades indicadas por ele, sendo descrito pela investigação como articulador na defesa de interesses considerados suspeitos do grupo investigado. Mensagens trocadas entre Peixe e uma assessora do gabinete do senador, em outubro de 2023, também entraram no radar dos investigadores.
Outro ponto que aumenta a polêmica envolve conversas posteriores, registradas em fevereiro de 2024, nas quais uma assessora ligada ao gabinete de Flávio teria solicitado quatro ingressos para o desfile das campeãs no Sambódromo do Rio de Janeiro — pedido que, segundo a investigação, teria sido atendido. Embora o conteúdo das mensagens esteja sendo analisado, o episódio amplia questionamentos sobre a relação entre interlocutores investigados e integrantes do entorno político do senador.
Em resposta, Flávio Bolsonaro afirma que a emenda teve como finalidade apoiar um projeto social voltado a crianças em situação de vulnerabilidade, oferecendo acesso ao esporte e à inclusão social. Até o momento, não há acusação formal contra o senador no âmbito da investigação. Ainda assim, o caso surge em um momento delicado para quem busca consolidar espaço na corrida presidencial de 2026, alimentando novas discussões sobre transparência, fiscalização de emendas parlamentares e possíveis conexões políticas que agora passam pelo crivo da Polícia Federal.







