A crise política e administrativa em Ilhéus parece estar longe de chegar ao fim. O prefeito Valderico Júnior enfrenta mais um momento de turbulência em sua gestão, desta vez marcado pelo rompimento com o grupo político do ex-prefeito Jabes Ribeiro. A movimentação reforça o cenário de instabilidade dentro do governo e levanta questionamentos sobre a capacidade de articulação política do atual gestor, especialmente diante dos desafios que terá pela frente até 2028.
A dimensão do rompimento ficou evidente com a publicação de uma ampla reforma administrativa no Diário Oficial do Município. Foram 53 exonerações e 51 nomeações, conforme os atos publicados em 30 de outubro e repercutidos nesta segunda-feira (1º de novembro). As mudanças atingiram principalmente as secretarias de Educação, Cultura, Promoção Social, Saúde e Serviços Urbanos, com substituições em cargos comissionados e funções de direção ligados ao grupo de Jabes Ribeiro.
A reforma representa uma das maiores mudanças na estrutura administrativa desde o início do governo e consolida o afastamento entre Valderico Júnior e uma importante força política que integrava sua base de sustentação. Além dos impactos no secretariado, o rompimento pode provocar reflexos na relação com a Câmara Municipal e dificultar a construção de alianças necessárias para garantir governabilidade. Em um cenário de cobranças por resultados e de insatisfação política, cada novo desgaste aumenta a pressão sobre a administração.
Com pouco mais de um ano de governo, Valderico Júnior já começa a enfrentar desafios que podem comprometer seus planos de continuidade política. Caso a crise não seja contornada e a gestão não consiga apresentar respostas concretas à população, o prefeito poderá chegar a 2028 bastante fragilizado, com dificuldades para reunir apoios e construir um projeto eleitoral competitivo.








