O prefeito Valderico Jr. (União Brasil) passou a ser chamado de “Radarico Jr.” nas redes sociais e nos bastidores políticos após a instalação dos novos radares de fiscalização eletrônica em Ilhéus. A iniciativa, que tinha como principal argumento o reforço da segurança no trânsito, acabou provocando forte reação popular e começou a refletir negativamente na aprovação da gestão, que vinha em crescimento após algumas ações municipais e o sucesso da festa de Ano Novo da cidade.
Em apenas 15 dias depois da homologação dos equipamentos, foram registradas 3.305 infrações de trânsito, mesmo durante o período considerado educativo. Os números foram divulgados pelo superintendente de Transporte e Trânsito, Cláudio Cardoso, em entrevista à rádio Ilhéus FM. Segundo ele, até o dia 21 de dezembro os radares ainda operavam sem aplicação de penalidades, mas as infrações mais recorrentes já eram por excesso de velocidade, muitas delas acima do limite permitido.
O problema, na avaliação de muitos motoristas, está na forma como a política de fiscalização foi implantada. Em vários pontos da cidade, especialmente onde o limite é de apenas 30 km/h, a população considera a medida exagerada e desnecessária. A sensação é de que faltou diálogo com a sociedade e uma campanha educativa mais consistente antes da adoção de um sistema tão rígido, o que transformou uma ação que poderia ser preventiva em motivo de revolta e desgaste político.
Diante das críticas, a Superintendência de Transporte e Trânsito de Ilhéus divulgou nota afirmando que a fiscalização não tem caráter arrecadatório. O órgão explicou que os recursos provenientes das multas possuem destinação legal obrigatória, com parte sendo repassada ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito e o restante investido em sinalização, fiscalização, melhorias viárias e campanhas educativas no próprio município. Ainda assim, para grande parte da população, o discurso oficial não tem sido suficiente para afastar a percepção de que os radares, do jeito que foram implantados, acabaram mais punindo do que educando.





