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ESCÂNDALO‼️ Revista escancara como Ednaldo Rodrigues “blindou” o seu império na CBF

Em 2021, quando assumiu a presidência da CBF após o afastamento de Rogério Caboclo por assédio, Ednaldo Rodrigues se apresentou como o homem certo para mudar o rumo da entidade. Prometeu cortar privilégios, “expurgar toda e qualquer imoralidade” e devolver ao futebol brasileiro a credibilidade perdida após sucessivos escândalos. Três anos depois, Ednaldo foi reeleito por unanimidade — com apoio de todas as federações e dos clubes das Séries A e B. Mas, como revela uma ampla reportagem da revista Piauí, publicada nesta sexta-feira (4), o dirigente não só manteve como aprofundou o sistema de favores, mordomias e blindagens jurídicas que há décadas sustenta o poder dentro da Confederação Brasileira de Futebol.

A reportagem assinada por Allan de Abreu expõe os bastidores de uma gestão que se assemelha, em muitos aspectos, às de seus antecessores — Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, todos afastados por corrupção e investigados internacionalmente. Ao contrário do que prometeu, Ednaldo transformou a CBF em um núcleo ainda mais fechado, onde decisões passam por ele diretamente, e os recursos da entidade — que fatura mais de R$ 1 bilhão por ano — são usados com critérios no mínimo questionáveis.

Copa do Catar

Durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, a CBF bancou uma caravana de 49 pessoas que não tinham relação direta com o futebol. Amigos, familiares, políticos, artistas e jornalistas embarcaram com tudo pago: voos em classe executiva, hospedagem em hotéis de luxo, ingressos para jogos e até um cartão corporativo com US$ 500 por dia para gastos livres. A família de Ednaldo — esposa, filha, genro, netos e cunhada — viajou em primeira classe e se hospedou no Marriott Marquis, um dos hotéis mais caros de Doha. Só os gastos extras da esposa chegaram a R$ 37 mil. Estima-se que a viagem inteira tenha custado cerca de R$ 3 milhões.
Os favorecimentos se estendem à estrutura política da CBF. Desde que assumiu, Ednaldo aumentou significativamente a “mesada” paga aos presidentes das federações estaduais. Até 2021, cada cartola recebia cerca de R$ 50 mil por mês. Hoje, esse valor passou para R$ 215 mil — com direito a décimo sexto salário. Está explicado portanto, porque nenhum presidente de Federação aceitou sequer conversar com Ronaldo Fenômeno, que insinuou uma candidatura.
Além do contracheque turbinado, os presidentes contam com passagens aéreas e hospedagens pagas pela CBF, mesmo quando se trata de viagens pessoais ou familiares. Em um dos casos relatados pela Piauí, um dirigente pediu à entidade que bancasse a estadia de sua esposa, filha, irmã e babá durante uma cirurgia em São Paulo. O pedido foi feito por áudio de WhatsApp ao próprio presidente da CBF, que autorizou. A conta: R$ 114 mil.
Internamente, a reportagem descreve uma CBF desorganizada, centralizadora e marcada pelo medo. Contratos guardados em gavetas, pagamentos sem registro formal e funcionários que evitam falar sobre o que veem. Em uma pesquisa interna, mais da metade dos empregados declarou que não se sente seguro para denunciar abusos ou irregularidades. Desde o início da atual gestão, mais de 100 ações trabalhistas foram movidas contra a CBF — um aumento de 24% em relação ao período anterior.

O caso mais grave é o da arquiteta Luísa Rosa, que assumiu a diretoria de patrimônio da CBF e acabou demitida após denunciar assédio moral, esvaziamento de funções e o uso de câmeras com captação de áudio na sede da entidade. Segundo ela, as imagens eram armazenadas em uma sala com acesso exclusivo de Ednaldo. Rosa venceu a ação trabalhista, mas foi processada por difamação pelo próprio presidente. A Justiça já a absolveu.

Gilmar Mendes

Ainda de acordo com a Piaui, no campo jurídico, a blindagem é estratégica. Quando Ednaldo enfrentou um processo que o afastou da presidência em 2023, contratou advogados por valores milionários e sem cláusula de êxito. Um dos contratos mais polêmicos foi com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do STF Gilmar Mendes, que passou a gerir os cursos da CBF Academy. O IDP ficou com 84% da receita. Dias depois, foi o próprio Gilmar quem concedeu liminar reconduzindo Ednaldo ao cargo.

Com apoio total das federações — cujos votos valem três vezes mais do que os dos clubes — e nenhuma oposição real, Ednaldo Rodrigues foi reeleito com facilidade em março deste ano. Entre os que se calaram ou aderiram, está o empresário John Textor, dono do Botafogo, que no passado denunciava irregularidades na entidade e hoje figura como apoiador do presidente. No dia seguinte à reeleição, Ednaldo foi a Buenos Aires acompanhar a derrota por 4 a 1 da Seleção Brasileira diante da Argentina. Um símbolo, talvez, da distância cada vez maior entre a grandeza do futebol brasileiro e o funcionamento de quem o comanda.

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