As declarações do CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, durante a coletiva de resultados do primeiro trimestre da companhia, causaram forte repercussão e indignação entre trabalhadores e defensores dos direitos trabalhistas em todo o país. Ao afirmar que o possível fim da escala 6×1 poderia inviabilizar a operação internacional da aviação no Brasil, o executivo deixou claro o posicionamento de parte do grande empresariado diante das discussões sobre melhores condições de trabalho para os brasileiros.
Segundo Cadier, os projetos em tramitação no Congresso Nacional poderiam incluir pilotos e tripulantes nas novas regras de jornada, limitando voos superiores a oito horas. Para o CEO, isso afetaria diretamente as rotas internacionais operadas no país. A fala, no entanto, foi interpretada por muitos como uma tentativa de colocar o lucro acima do bem-estar dos trabalhadores, ignorando o debate sobre qualidade de vida, saúde mental e direito ao descanso.
A declaração de que “o Brasil não vai ter mais operação internacional” caso a medida avance gerou críticas nas redes sociais e entre movimentos trabalhistas. Para muitos, o discurso reforça uma visão defendida por setores da direita econômica, onde o trabalhador deve continuar submetido a jornadas exaustivas enquanto grandes empresas seguem ampliando seus lucros bilionários. O debate sobre o fim da escala 6×1 vem crescendo justamente por conta dos impactos negativos que esse modelo traz para milhões de brasileiros.
Especialistas e parlamentares favoráveis à mudança defendem que modernizar as relações de trabalho não significa prejudicar a economia, mas sim garantir mais dignidade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A repercussão da fala do CEO da LATAM reacendeu uma discussão importante no país: até onde empresas estão dispostas a ir para manter seus lucros, mesmo que isso signifique negar ao trabalhador o direito básico ao descanso e à convivência familiar.






