O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, voltou a se ausentar da cena política baiana em um momento considerado decisivo para a reorganização das forças de oposição no estado.
A movimentação causa estranheza porque ocorre justamente quando a disputa pelo governo da Bahia começa a ganhar contornos mais claros e exige articulação intensa.
O desgaste interno aumentou após uma declaração que repercutiu negativamente no interior. Ao afirmar que “essa coisa de ter 300 prefeitos muda nada, representa nada”, Neto atingiu em cheio uma base municipal que vinha sendo tratada como estratégica para 2026. Prefeitos classificaram a fala como desrespeitosa e passaram a cobrar um gesto público de reparação. Em um estado com forte influência das lideranças locais, minimizar o peso dos gestores municipais foi visto como um erro político de grandes proporções.
Na capital, o episódio também gerou desconforto no entorno do prefeito Bruno Reis. Integrantes do grupo avaliam que a declaração enfraquece o discurso de liderança respaldada nas urnas, especialmente porque Bruno tem destacado sua reeleição com quase 80% dos votos em Salvador — desempenho superior ao obtido por Neto quando disputou a prefeitura. Ao reduzir a importância dos prefeitos, o ex-prefeito acabou atingindo indiretamente um dos principais trunfos políticos do aliado.
Durante o Carnaval, Neto permaneceu restrito a agendas em camarotes na capital, sem compromissos no interior ou encontros públicos com lideranças regionais. A ausência em cidades estratégicas foi notada por prefeitos que aguardavam maior presença e articulação. Mesmo quando criticou o tiroteio ocorrido em Xique-Xique, o ex-prefeito optou por não aparecer no vídeo divulgado em suas redes sociais. Para aliados, o silêncio presencial em um ano pré-eleitoral começa a pesar mais do que qualquer discurso publicado online.





