O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e apontou que políticas brasileiras relacionadas ao Pix, ao comércio digital, ao etanol, à propriedade intelectual e ao combate ao desmatamento poderiam prejudicar interesses econômicos norte-americanos. O relatório ganhou repercussão após a informação de que a apuração teria sido impulsionada também por articulações políticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Como desdobramento, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. A medida ainda passará por etapas de consultas públicas e negociações bilaterais antes de qualquer decisão definitiva, mas já acendeu um alerta em setores exportadores do Brasil, que temem impactos diretos na competitividade de produtos nacionais no mercado norte-americano.
Um dos principais pontos do documento é o sistema de pagamentos Pix, citado como exemplo de política que, na visão norte-americana, favoreceria empresas locais em detrimento de companhias privadas estrangeiras. O relatório também questiona a obrigatoriedade de oferta do serviço por instituições financeiras e a gratuidade para usuários, argumento que vem sendo contestado por especialistas, que destacam o sucesso e a eficiência do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A ofensiva comercial ocorre em um cenário de crescente tensão diplomática entre Brasília e Washington, que já vinham registrando atritos recentes em temas de segurança e política externa. Enquanto o governo brasileiro defende suas políticas como instrumentos de soberania econômica e inclusão digital, autoridades norte-americanas afirmam buscar condições mais equilibradas para empresas do país. Até julho, os dois governos devem tentar avançar em negociações para evitar a adoção das tarifas e conter o agravamento da crise bilateral.







