A retirada de um vídeo do cantor MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro (PL) pelo Instagram, nesta quinta-feira (22), abriu uma nova frente de críticas à atuação da Meta durante a reta final da eleição presidencial. O conteúdo, produzido em parceria com o projeto jornalístico Revelando, foi retirado da plataforma menos de uma hora após ser publicado e segue disponível no YouTube. O episódio ocorre apenas três dias antes do segundo turno e reacendeu o debate sobre a atuação das plataformas digitais no ambiente eleitoral.
No vídeo, intitulado “Flavinho de Papai”, MC Cabelinho aborda a trajetória política de Flávio Bolsonaro e menciona acusações relacionadas à sua passagem pelo gabinete do pai, Jair Bolsonaro. A produção também faz críticas a propostas atribuídas ao candidato nas áreas de saúde, educação e direitos sociais. A equipe do Revelando contestou a classificação do material como propaganda eleitoral e afirmou que o conteúdo tem caráter jornalístico. Artistas como Fábio Porchat e Gregório Duvivier também manifestaram indignação com a retirada.
A Meta, por sua vez, afirma que a remoção não ocorreu por causa do conteúdo político ou de uma preferência por qualquer candidato, mas em razão das regras eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial. Segundo a empresa, a resolução aplicável às eleições de 2026 determina restrições a conteúdos gerados ou alterados por IA nas 72 horas anteriores à votação, durante o dia da eleição e nas 24 horas seguintes. A companhia diz ainda que aplicativos de edição podem inserir automaticamente sinais de utilização de IA nos arquivos, mesmo sem que o usuário tenha consciência disso.
O caso, entretanto, ganhou dimensão política porque acontece em um momento de forte disputa sobre a isonomia das plataformas. A Procuradoria-Geral Eleitoral acusou recentemente a Meta de descumprir parcialmente determinações do TSE relacionadas ao tratamento igualitário das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, enquanto a própria Corte já determinou que a empresa não reduza a distribuição ou a recomendação de conteúdos políticos de qualquer uma das candidaturas. Assim, embora a Meta apresente uma justificativa técnica e eleitoral para a retirada do vídeo de Cabelinho, o episódio alimenta questionamentos de artistas e produtores sobre transparência, critérios de moderação e possível favorecimento — uma acusação que, até o momento, não foi comprovada.








