A campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) pretende solicitar à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) a identificação de todas as pessoas que visitaram o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas unidades prisionais onde esteve custodiado. O pedido dará atenção especial aos visitantes que tenham ingressado nos locais com dispositivos capazes de realizar gravações. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a campanha também pretende requerer a quebra do sigilo telemático dos identificados, com o objetivo de apurar possíveis violações de sigilo funcional e outros crimes relacionados ao caso.
A iniciativa busca esclarecer a origem de um áudio divulgado pela revista Veja, no qual Vorcaro supostamente afirma ter financiado um documentário do cineasta Oliver Stone sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, o ex-banqueiro também teria mencionado negociações com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para o pagamento de propinas com o objetivo de obter acesso a fundos de pensão de servidores federais. Conforme o conteúdo atribuído a Vorcaro, R$ 30 milhões desse dinheiro teriam sido destinados ao financiamento do filme. A autenticidade e a origem do material, entretanto, são questionadas.
A possível gravação irregular teria levantado suspeitas sobre como o áudio foi obtido e se houve participação de agentes públicos, integrantes da equipe de defesa do ex-banqueiro ou visitantes que teriam conseguido driblar os procedimentos de segurança da prisão. Os advogados Sergio Leonardo e Daniel Bialski, que atuam na defesa de Vorcaro, contestaram as informações divulgadas. Leonardo afirmou que a defesa não reconhece a origem, a autenticidade nem a integridade de qualquer material divulgado e declarou desconhecer o suposto áudio. Bialski, por sua vez, disse que nunca soube da existência dessa gravação e negou que Vorcaro tenha feito uma declaração recente sobre o assunto.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República também afirmaram que não encontraram referências ao suposto financiamento do documentário nas mensagens e nos dados analisados durante as investigações. Em nota, a PGR negou a existência de um depoimento oral de Vorcaro no âmbito de uma colaboração premiada, explicando que a proposta foi rejeitada pela Polícia Federal. O órgão acrescentou que as tratativas foram conduzidas exclusivamente por meio dos advogados contratados pelo investigado, sem interlocução direta entre Vorcaro e representantes da Procuradoria. Até que a origem e a autenticidade do áudio sejam esclarecidas, as alegações divulgadas permanecem sob contestação.








