Após duas décadas de protagonismo na política de Ilhéus, a família Sousa encerra um longo ciclo de poder no município. A trajetória começou em 2006, quando Ângela Sousa foi eleita deputada estadual pelo então PSC, sendo reeleita em 2010 e novamente em 2014. O ciclo no Legislativo estadual chegou ao fim em 2018, mas a influência política da família ganhou novo capítulo com a eleição de Mário Alexandre, o Marão, para a Prefeitura de Ilhéus, em 2016, pelo PSD, sob o slogan “Marão cuida de mim”.
Em 2020, Marão conseguiu a reeleição em um cenário excepcional marcado pela pandemia e por uma série de restrições às atividades políticas e eleitorais. Naquele momento, a campanha apostava na continuidade do governo e no discurso de que “o trabalho tinha que continuar”. Dois anos depois, em 2022, o grupo voltou a demonstrar força ao lançar Soane Galvão, esposa de Marão, para deputada estadual. Ao lado de Bebeto Galvão, Soane percorreu diversas regiões da Bahia e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, mantendo a família no centro do poder político.
O cenário, porém, começou a mudar com os erros de estratégia e de condução política acumulados nos últimos anos. Após deixar a Prefeitura e enfrentar uma sucessão municipal que não conseguiu manter o mesmo capital político do grupo, Marão decidiu, em 2026, colocar o próprio nome novamente nas urnas e retirar Soane do jogo. O resultado foi um desempenho considerado abaixo das expectativas em Ilhéus: Marão obteve 7.461 votos no município. Para uma liderança que durante anos esteve no centro das decisões políticas locais, a votação representa um forte sinal de desgaste e evidencia a perda de capacidade de mobilização eleitoral.
O fim desse ciclo, portanto, não pode ser analisado apenas como uma derrota eleitoral isolada, mas como o encerramento de uma era política marcada por vitórias, reeleições, ascensão familiar e também por controvérsias e desgastes. A gestão de Marão deixa um legado que será avaliado pela população e pela história política de Ilhéus, enquanto questões judiciais e eleitorais envolvendo o ex-prefeito também continuam fazendo parte do debate público. Depois de 20 anos de presença direta no poder, a família Sousa agora enfrenta o desafio de reconstruir sua força política fora dos principais espaços de comando — e a eleição de 2026 marcou, de forma contundente, o fim dessa dinastia em Ilhéus.








