O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante), apontado como o mais rico entre os presidenciáveis nas eleições de 2026, tornou-se alvo de uma cobrança judicial movida pela Bradesco Saúde por falta de pagamento de parcelas do próprio plano de saúde. O caso chama atenção não apenas pelo valor da dívida, superior a R$ 9,2 mil com juros e correção, mas também pelo contraste entre a situação e o patrimônio milionário declarado pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de R$ 242 milhões.
Segundo a ação, o plano empresarial foi contratado em janeiro de 2021 pela Filadélfia Nature Participações, holding familiar da qual Cury possui 99,99% do capital social. O contrato incluía o próprio candidato e familiares, entre eles a esposa, uma filha, um genro e dois netos. De acordo com a Bradesco Saúde, as mensalidades deixaram de ser pagas em abril de 2025, e os boletos de maio e junho também não teriam sido quitados, levando ao cancelamento da apólice por inadimplência.
O episódio ganha contornos ainda mais curiosos diante da declaração patrimonial apresentada por Cury à Justiça Eleitoral. Dos R$ 242 milhões informados, R$ 121 milhões aparecem como um empréstimo concedido justamente à Filadélfia Nature Participações. Apesar disso, desde abril a Justiça tenta localizar e intimar formalmente representantes da empresa, sem sucesso. Uma correspondência enviada à sede declarada em Colina (SP) retornou negativa e, posteriormente, um oficial de Justiça foi pessoalmente ao endereço, mas informou que a empresa não funcionava mais no local.
Já durante a campanha eleitoral, a Bradesco Saúde apresentou nova petição pedindo que Claudia Helena Cury, filha do presidenciável e administradora da holding, seja citada em seu endereço residencial em Ribeirão Preto. O procedimento prevê prazo de três dias para o pagamento da dívida ou de 15 dias para apresentação de contestação. O caso, embora envolva uma quantia relativamente pequena diante da fortuna declarada pelo candidato, levanta questionamentos sobre a gestão de suas empresas e sobre a dificuldade encontrada pela Justiça para localizar uma companhia ligada diretamente ao homem que busca ocupar o cargo mais alto da República.








