O cenário político da Bahia para 2026 começa a se desenhar com desafios relevantes para o pré-candidato ao governo estadual ACM Neto. Após ter liderado as pesquisas na eleição anterior, o ex-prefeito de Salvador acabou derrotado no segundo turno, o que já indicava uma disputa acirrada no estado. Agora, o contexto político se mostra ainda mais complexo, com mudanças importantes no apoio institucional e na correlação de forças.
Levantamentos recentes apontam que ACM Neto teria perdido o apoio de ao menos 50 prefeitos, muitos dos quais migraram para a base aliada do atual governador Jerônimo Rodrigues. Além disso, a articulação governista reúne nomes de peso no cenário político nacional e estadual, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa. Jerônimo, conhecido por sua origem no interior, tem fortalecido sua imagem junto aos gestores municipais, ampliando sua base de sustentação política.
Esse movimento indica que ACM Neto enfrentaria uma resistência significativa entre os prefeitos baianos, com estimativas sugerindo que cerca de 90% dos gestores municipais estariam alinhados, direta ou indiretamente, ao grupo governista. Esse fator pode influenciar a capilaridade das campanhas, especialmente em um estado com forte peso do interior nas eleições.
Ainda assim, a história política da Bahia demonstra que o apoio massivo de prefeitos não garante vitória eleitoral. Em 2006, o então governador Paulo Souto, mesmo contando com o apoio de cerca de 380 dos 417 prefeitos, aproximadamente 90% do total, foi derrotado já no primeiro turno por Jaques Wagner. O episódio marcou o fim de um longo ciclo político no estado e serve como exemplo de que o comportamento do eleitorado pode contrariar expectativas baseadas apenas em alianças institucionais.






