A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, referia-se ao então superintendente de Gestão Prisional da Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap), Luciano Teixeira Viana, pelo codinome “Lulu BDM”. A informação consta em mensagens trocadas entre os dois e veio à tona no contexto das investigações sobre a fuga de 16 detentos registrada em 2024. Atualmente presa, Joneuma firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), no qual detalha os bastidores do caso. Teixeira deixou o cargo em julho de 2025. As informações foram divulgadas pelo site Política Livre.
De acordo com o material analisado, as conversas entre os envolvidos incluíam o uso frequente de codinomes. Entre eles, o ex-deputado federal Uldurico Júnior era chamado de “Galego”, enquanto o ex-ministro Geddel Vieira Lima aparecia como “Chefe”. Outros nomes surgem de forma indireta, como “02” e “Dina”, este último apontado como sendo Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dada”.
Segundo as investigações, “Dada” é identificado como uma das principais lideranças do chamado Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção criminosa com ligação ao Comando Vermelho. Há indícios de que ele teria fugido para uma área sob domínio da organização, o que reforça a hipótese de articulação externa no episódio da fuga em massa.
O Ministério Público da Bahia apura ainda que o plano de fuga teria envolvido uma negociação estimada em cerca de R$ 2 milhões. Parte da delação indica a suposta participação de Uldurico Júnior nas tratativas. Além disso, Joneuma relatou que discutiu com o ex-deputado a possibilidade de acobertamento por parte da própria Seap, ao mesmo tempo em que ambos demonstravam insatisfação com a falta de apoio institucional durante o período em que os fatos ocorreram.






