A China vem intensificando suas ações no combate à desertificação, um fenômeno que já atinge cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o equivalente a 27% de todo o território nacional e impacta diretamente aproximadamente 400 milhões de pessoas. Diante da dimensão do problema, o país adotou políticas de longo prazo aliadas a investimentos contínuos, conseguindo não apenas frear, mas em algumas regiões até reverter o avanço das áreas degradadas, consolidando o enfrentamento como uma estratégia de Estado com resultados concretos.
Um dos principais exemplos está no deserto de Tengger, um dos maiores da China, onde iniciativas combinam conhecimento tradicional e tecnologia de ponta para conter o avanço das dunas. Na cidade de Zhongwei, milhares de trabalhadores participaram da instalação de quadrículas de palha, técnica que ajuda a fixar a areia e possibilita o crescimento da vegetação. O trabalho conta ainda com o apoio de drones, sensores de solo e monitoramento por satélite, ampliando a eficiência das ações.
Os resultados já começam a aparecer de forma significativa. Zhongwei conseguiu criar um cinturão verde de aproximadamente 153 quilômetros, além de recuperar cerca de 146 mil hectares de áreas degradadas. A meta das autoridades locais é ampliar ainda mais esses números até 2026, fortalecendo a proteção ambiental e reduzindo os impactos das tempestades de areia na região.
Essas iniciativas integram o Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, iniciado em 1978. Com mais de 66 bilhões de árvores plantadas, o programa tem como objetivo conter a desertificação, restaurar ecossistemas e ampliar a cobertura florestal do país. Além dos ganhos ambientais, a ação também impulsiona a geração de empregos, fortalece a economia rural e consolida a China como uma referência global no enfrentamento das mudanças climáticas.






