A publicação atribuída a Gabriel Otamendi, irmão de Nicolás Otamendi, após o confronto entre Real Madrid e Sport Lisboa e Benfica, representa um grave retrocesso no combate ao racismo no futebol. Ao divulgar, em um perfil privado, uma imagem editada de Vinícius Júnior com o corpo de um macaco antes da partida no Estádio Santiago Bernabéu, o familiar do defensor argentino recorreu a um símbolo historicamente utilizado para desumanizar pessoas negras.
Ainda que a conta fosse fechada, o vazamento da imagem tornou o caso público e ampliou sua repercussão. Não se trata de rivalidade esportiva ou provocação comum entre torcedores, mas de um ataque com conotação racista explícita. Vinícius Júnior, que já denunciou episódios semelhantes no futebol espanhol, tornou-se uma das principais vozes na luta contra esse tipo de violência, o que torna o gesto ainda mais simbólico e preocupante.
O episódio ganha contornos adicionais diante das acusações envolvendo Gianluca Prestianni, que teria chamado o brasileiro de “macaco”, segundo relato apoiado por jogadores do Real Madrid como Kylian Mbappé e Federico Valverde. A soma dos fatos evidencia que o problema não está restrito às arquibancadas, mas também permeia o ambiente competitivo e as relações entre atletas.
Embora não haja indícios de participação direta de Nicolás Otamendi na publicação, a proximidade familiar inevitavelmente projeta desgaste sobre sua imagem, ainda mais sendo campeão da Copa do Mundo FIFA 2022. O futebol, que se apresenta como símbolo de diversidade e integração global, precisa ir além de discursos protocolares e adotar medidas firmes para coibir práticas discriminatórias dentro e fora de campo.





